o português
chegamos no começo da noite. ainda estava claro, mas a lua cheia já se exibia no céu. véspera de eclipse lunar. havíamos viajado por 11 horas e estávamos exaustos, eu louca por um banho de mar. nina e lobinho se comportaram super bem na viagem, já aprenderam a sentar e aguardar o momento de parar.
um moço simpático nos recebeu: "sejam bem-vindos à Praia da Paixão". antes de sairmos de são paulo, procuramos hotéis e pousadas que aceitassem cachorros e isso nos fez, inclusive, alterar um pouco a nossa rota. ao invés de irmos por montes claros (o que poderia poupar quilômetros) resolvemos descer de minas logo para o litoral baiano para parar em Prado, justamente onde fica a praia da paixão e a pousada que aceitava nossos bichinhos de estimação.
de fora o lugar era bem charmoso - uma grande casa com uma imensa área verde, à beira-mar. ficava a 12 kms para dentro da pista, com acesso por uma estrada de areia. paramos e descemos com tudo: mala com a roupa da noite, necessaire, geladeirinha com nossa marmita e água. uma noite de descanso realmente cairia muito bem.
pois bem, como estava falando, o moço da recepção era super simpático e tinha um sotaque curioso, misto de português de portugal com nãoseiquê. perguntei: da onde é o seu sotaque? de portugal, algarve. ah! você é português? não, sou brasileiro, mas vivo há muitos anos lá. estou de férias no brasil, por um ano.
ele era fake. mas eu não sabia dizer muito bem o que não encaixava na equação. uma hora ele disse para o sérgio:
-"se o senhor não compreender alguma palavra do que digo é só falar que eu repito."
- 'mas eu lhe entendo perfeitamente, roberto", disse o sérgio.
pois o roberto nos acompanhou, mostrando o hotel e nos levando ao quarto. nesse momento todo o glamour acabou. o corredor - escuro - cheirava a mofo, um mofo muito antigo que parecia pré-histórico. o quarto era bem mais ou menos, mais para menos, mas enfim, seria apenas uma noite. vamos tomar um banho de mar, havia uma varanda para os cachorros e tudo bem.
roberto andava por esse corredor, como se estivesse em Versailles, encenando uma fábula de um glamour inexistente. lembrei do jack nicholson, em o iluminado.
roberto andava por esse corredor, como se estivesse em Versailles, encenando uma fábula de um glamour inexistente. lembrei do jack nicholson, em o iluminado.
quando saímos do quarto, prontos para ir à praia, roberto nos esperava para mostrar a 'área de lazer de nosso hotel'. duas piscinas grandes, uma churrasqueira, bar de piscina, tudo muito bem construído, mas absolutamente decadente. vasos murchos de plantas estavam pendurados na varanda do restaurante, no jardim ao lado da piscina, latinhas de refrigerante. fechamos os olhos e fomos para o mar. estava mesmo uma delícia. é maravilhoso tomar um banho de mar depois de tantos meses. nos esbaldamos. na volta, tomamos banho e fomos jantar.
até esse momento, roberto estava nos tratando muito bem. sérgio fez lhe elogios e foi aí que tudo se revelou. esse homem disparou a falar por uma meia hora sem parar sobre sua vida. contou que tinha distúrbio do sono, que fica dias e dias sem dormir, que morou em brasília, que sua primeira esposa morreu e ele colocou todos os móveis de sua casa à venda por 7 mil reais, vendeu e juntou com o dinheiro que tinha e se mandou para além-mar. lá, não sei bem o que fez. parece que trabalhou em hotéis em lisboa, depois foi para o porto e, por fim, se fixou no algarve. e agora estava de volta ao brasil, não se sabe bem porque, mas em breve iria para suíca, quem sabe espanha ou portugal....
o fato é que ele prdeu a noção do bom atendimento e não parava de falar nem por um momento.
até que interrompi e pedi o nosso jantar. ele foi à cozinha. ufa!
suas histórias ficaram em nossa conversa, a história do distúrbio do sono, o fato dele ser novo ainda e portanto não daria para morar tanto tempo em portugal ao ponto de arranjar sotaque e blablabla.
quando terminamos o jantar, comunicamos que no dia seguinte partiríamos de madrugada - seria o nosso trajeto mais longo, 1200 km, até piranhas, no alto sertão de alagoas - portanto, gostaríamos de saber se teria alguém para abrir a porta da pousada para nós. no que roberto prontamente disse:
- eu estarei acordado. lembrem-se que tenho distúrbio do sono e nunca durmo.
fomos nos deitar. quando acordamos, tudo às escuras. fomos chamar roberto e nada. ele roncava. sérgio arrumou todo o carro - levando as malas pela varanda do quarto - e, quando estávamos já no carro, buzinamos batemos palmas, chamamos por seu nome, até que enfim ele acordou de seu sono profundo. e disse: "eita, vocês já estão prontos?"
o distúrbio do sono sonhava sono profundo e, quando acordou, esqueceu o sotaque de português.
acordou com sotaque baiano.
o fato é que ele prdeu a noção do bom atendimento e não parava de falar nem por um momento.
até que interrompi e pedi o nosso jantar. ele foi à cozinha. ufa!
suas histórias ficaram em nossa conversa, a história do distúrbio do sono, o fato dele ser novo ainda e portanto não daria para morar tanto tempo em portugal ao ponto de arranjar sotaque e blablabla.
quando terminamos o jantar, comunicamos que no dia seguinte partiríamos de madrugada - seria o nosso trajeto mais longo, 1200 km, até piranhas, no alto sertão de alagoas - portanto, gostaríamos de saber se teria alguém para abrir a porta da pousada para nós. no que roberto prontamente disse:
- eu estarei acordado. lembrem-se que tenho distúrbio do sono e nunca durmo.
fomos nos deitar. quando acordamos, tudo às escuras. fomos chamar roberto e nada. ele roncava. sérgio arrumou todo o carro - levando as malas pela varanda do quarto - e, quando estávamos já no carro, buzinamos batemos palmas, chamamos por seu nome, até que enfim ele acordou de seu sono profundo. e disse: "eita, vocês já estão prontos?"
o distúrbio do sono sonhava sono profundo e, quando acordou, esqueceu o sotaque de português.
acordou com sotaque baiano.